quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pequenas crianças, grandes negócioS


Ontem foi dia das crianças. Lembro da minha época de infância triste, sozinho, assistindo sessão da tarde ao lado do meu cachorro Buíu e meu avô Gabriel. Enquanto os outros meninos iam brincar na rua, eu ficava em casa assistindo filmes da Guerra Fria (era década de 90, e a Globo passava filme dos anos 80 à tarde. Hoje nos anos 2000, eles passam os de 90 para a garotada). Como conseqüência dessas histórias exaltando os americanos, era louco pra ser presidente dos Estados Unidos, ao mesmo tempo soldado numa guerra contra os russos; livrando o mundo de todo mal.


Outro fato marcante foi a morte de Lady Di. Quando vi aquele funeral “lindo”, fiquei apaixonado por velórios de pessoas famosas. Larguei meus soldadinhos nas suas trincheiras e comecei a fazer uma fileira enorme de carrinhos, com meu corpo numa caixinha de fósforo no carro da frente. Havia helicópteros transmitindo em tempo real o sepultamento de Danilo Borges, o “rei do mundo” e o planeta inteiro chorava a perda de seu herói, cuja vida foi tirada por terroristas durante uma batalha em que sua participação determinou a vitória do bem. “Perdeu a vida por nós” diziam os populares.

Outra lembrança marcante nessa minha fase era quando meus tios e tias ficavam me perguntando: "Iai Danzinho, o que você vai ser quando crescer?". Dava vontade de responder pra aquele tio gordo, que só usa camisa pool, já chegando nos 50 e se achando um pegador: "tudo menos você!". Será mesmo que eu, uma criança de 10 anos já poderia planejar meu futuro?

Desde pequeno ouvimos essa pergunta do que seremos quando adultos; muitas vezes por pressão da própria família, a resposta é médico, advogado, arquiteto. Educar não é adestrar. Um ser humano deve ser educado a tirar conclusões próprias e conseguir ter discernimento e capacidade de escolha. O que fazemos com nossos pequenos é como se faz com um cachorrinho; compramos um brinquedinho e vamos estacando uma ideia na cabeça até que ela se torne fixa nessa criatura. Há certos pais que chegam ao cúmulo de presentear seus filhos com uma maletinha de médico. Se eu tivesse um filho também o ensinaria a brincar de médico com as coleguinhas, mas seria daquele jeito antigo...

É compreensível a preocupação deles, pois querem dar a seus descendentes a chance a qual nunca tiveram. Nossa realidade é de “burgueses sem religião”, esses pais querem seus filhos com um futuro próspero financeiramente, gostariam de vê-los ocupando cargos de prestigio social, com gordas poupanças monetárias e etc. Parece que eles pensam em suas crias como sendo um vaso de plantas que você pode tirar de um canto da sala pra outro, trocar a planta por outra. Seus filhos são pessoas, têm vida! Não são apáticos e imóveis, quer dizer, se você os trata assim tome cuidado. Com uma pancada fraca esses vasos já podem virar cacos.
O limite da educação paterna e materna deve estar no aconselhamento e diálogo e nunca na obrigação e repreensão. Se você quer ver seu filho médico pra realizar um antigo sonho teu, ou pra ter o tão desejado status, vá em frente! Estrague toda vida dele e o faça um péssimo profissional frustrado com o trabalho e consequentemente com a vida.

Não sou pai, mas sofri e ainda sofro com as pressões da minha família sobre o que ser. Pro meu pai a única profissão boa é médico, o resto é lixo. Durante muito tempo seguia estes seus ensinamentos arcaicos, mas hoje vejo que ele me deu a senha do cofre onde se encontrava minha carta de alforria. Com seus conselhos unilaterais, inflexíveis e completamente cegos, aprendi a ser livre. Abri o cofre, peguei minha alforria e vou viver A MINHA VIDA. Pode ser que ele esteja certo, pode ser que eu quebre a cara, mas vai ser do meu jeito, como eu quero. A vida é curta demais pra se preocupar com dinheiro, futilidade, falsas aparências sociais. E no futuro não quero ter que falar com meu filho que estou com 50 anos, e ainda não sentir o que é viver. Quero é ter prazer em dizer: “filho, a vida é sua, curta cada segundo como se fosse seu último. E lembre-se: quando alguém lhe perguntar o que deseja ser quando crescer, responda: ‘Quando eu crescer eu penso nisso, e caso você esteja vivo até lá, lhe respondo com prazer ’”.


Fica aqui minha reflexão e desabafo! Pensem bem leitores, sua vida pertence a você; e ela é única. Não a desperdice.

Um comentário:

  1. Muito reflexivo tdo isso q você disse Dan...
    As palavras machucam, ofendem, mas acima de tudo, revelam...Verdade seja dita:
    Precisamos viver nossa vida, somos livres, e sabemos o q queremos, ou iremos descobrir, mas sempre do nosso jeito...Precisamos quebrar a cara por conta própria;cair enésimas vezes e reerguer-se, só assim aprenderemos a caminhar, com nossas próprias pernas, no caminho que traçarmos!
    Parabéns, esse relato pode mudar a visão equivocada de muitas pessoas...xD

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