È muito fácil ser otimista com o outro quando ele está na pior e você não; dá aquele tapinha nas costas e dizer “é assim mesmo, a vida continua”. Do mesmo jeito são as diferenças entre as pessoas. É fácil, dizer pra um negro, gay, judeu, nordestino, seja lá qual grupo discriminado for, que é duro, mas tudo vai mudar. É simples proferir palavras exaltando a “heterogênização”, quando não se está incluído nesse meio.
Na minha simples e humilde concepção, a maioria dessas pessoas externas militantes de grupos apartados socialmente, não passa de demagogas. É claro que muitas estão em luta por realmente ideologia, porém a maioria quer fazer papel de bonzinho, bonitinho; como se fizesse uma caridade. Vejo muito isso na televisão, na qual lindos artistas tentam nos convencer de ajudar com cinco reais uma instituição de caridade. É um ato nobre, mas convenhamos que a TV dá a mínima importância para aquelas crianças com “síndrome de down” ou as abandonas da favela; elas querem é mostrar cumprimento de sua obrigação social, mostrando alguns choros, comoção, histórias de pessoas sofridas pra aumentar o ibope; aproveitando a ocasião e espremendo em nossas caras que não são capitalistas, desumanas e muito menos manipuladoras, caso um dia a gente chegue a pensar nisso... (sinceramente, disso há tempos tenho certeza!).
Esse problema não é tão macroscópico quanto se pensa; ele está embutido em toda a sociedade, desde crianças a velhos; está em todos nós. Vai me dizer que você nunca teve receio de se sentar ao lado de um sujeito por ele está vestido de determinada forma ou ter tal aparência? O racismo, o preconceito existem, nós quem não admitimos. Não queremos ver o mundo como ele é, pensamos ver o lado do outro, sentimos pena; fazemos um “favorzinho” pra tirar o peso da culpa e tudo bem. Pra completar com condolências inconscientes, dizemos “Viva as diferenças!”.
“De acordo com o PNAD de 2006, verificou-se que 6,9% da população brasileira se declara negra, enquanto 42,6% se declaram como ‘pardos’”. A questão do preconceito racial é o que há de mais vergonhoso em nosso país. Somos uma nação construída pelos braços e pernas dos negros, índios, mulatos e outros povos completamente desvalorizados até hoje. O número de descendentes dessa parcela é com certeza maioria da população nacional; mesmo assim são tratadas com desprezo. Valorizamos o estrangeiro que vem uma vez por ano, no carnaval, saí tirando foto, bebendo caipirinha, experimentando um anal com nossas jovens enquanto joga dólares pra cima; mas não respeitamos nossas raízes, não valorizamos nossa gente.
Chega ser irônico, um dos próprios preceitos gerais do preconceito é tender ir contra as camadas menos numerosas, os indiferentes, todavia, a questão nacional é: essa "minoria" é maioria. O que seria diferente é mais igual que o "normal". Consegue entender isso? É incrível como podemos ser tão irracionais, chegando a esse ponto de auto-criminalização.
Por quanto não sairmos de dentro das nossas mentes hipócritas e enxergamos o outro, não evoluiremos. Pode ser que surjam novas leis anti-racistas, projetos de inclusão social e tudo mais; porém estaremos sempre fechados pra visão e vida do outro. Somos iguais, nunca enxergaremos como é ser diferente; mesmo de fato cada um sendo diferente de outrem.
Enquanto esse dia não chega, vamos receber bem nossos estrangeiros, dando a eles nossa melhor cachaça, nossas melhores camas, nossas mais belas mulheres; sorrindo um sorriso tão falso quanto os das fotos do orkut, fingindo tudo estar bem, gritando felizes: “Viva as diferenças!”.






